sábado, 16 de julho de 2011

Olhos azuis

    Ela piscou os olhos várias vezes, seu rosto e sua nuca doíam, e seus olhos lacrimejavam. Estava quente e algo prendia sua perna. Tinha dificuldade para respirar, via muita fumaça, algo fora de sua visão queimava. Como tinha chegado a isto mesmo? Forçou a memória tentando lembrar. Dois colegas apareceram na sua frente e começaram á provocá-la. Disseram que ela era covarde como o pai que fugiu, ia provar que não. Foram a uma casa abandona que diziam ser mal assombrada, bobagens. Os garotos a desafiaram. Tinha que entrar a pegar algo de lá de dentro. Era uma armadilha tinha mais um garoto lá dentro que começou a soltar bonbinhas em sua direção, uma delas era mais forte que as demais a explosão foi grande e agora estava ali com seu corpo fraco que doía. Não conseguia sair sua perna estava presa debaixo de algo grande, uma viga que cedeu talvez. Queria gritar, mas ao abrir a boca engoliu fumaça. Ia mesmo morrer ali? Sufocada por fumaça? Queimada junto a casa abandona que ninguém queria assim como ela. Irônico.
    Por algum motivo ainda tentava soltar sua perna, era inútil. Seu corpo todo doía, seu nariz, garganta e pulmões doíam e de tudo era a maldita perna o que mais doía. Desistiu de se solta, descansou a cabeça no chão se deitando e relaxando esperando a morte certa. Por que não entrava em pânico logo? Por que não batia o desespero? Por que sentia como a qualquer instante ia ser salva? Mas por quem? Ninguém além daqueles idiotas sabia que ela estava ali, e eles covardes infantis não iam voltar. Deviam estar amedrontados com o fato dela morrer por causa deles, da brincadeirinha de mal gosto deles, provavelmente estão rezando para que tudo seja queimado e ninguém sinta a falta dela. Ela não duvidaria que isto acontecesse, sua mãe ia estar bêbada demais para perceber que ela nunca voltou e se tivesse algum amigo que se importasse não estaria ali.
    O tempo ia passando, seu corpo estava cada vez mais mole e sua visão mais embaçada. Fechou os olhos, era o fim cada vez mais próximo. Devia estar imaginando, mas tinha ouvido algo talvez a porta abrindo. Abriu os olhos para ver o que era, e para sua surpresa deu de cara com dois borrões azuis, olhos azuis com fios dourados por cima. Sentiu seu corpo ser puxado, levantado e os olhos azuis sumiram. Era a Morte a levando? A Morte com seus lindos olhos azuis? Fechou seus olhos e deixou ser levada para fora daquele inferno.

E ai, a Morte tem olhos azuis? Esta é só a primeira parte. Espero que gostem, talvez poste uma continuação em breve.

Sabe, Tento imaginar o que se sente quando está em um momento de vida ou morte como este mal descrito de agora. Não me levem a mal, é uma curiosidade, talvez um pouco incomum, mas apenas uma curiosidade. Cheguei à conclusão que cada um sente algo diferente, e me baseando no acidente de carro que tive quando mais nova, que não chegou nem perto de um momento de vida ou morte, porem foi bem assustador e angustiante. Acho que com certeza sentiria angustia, medo, tristeza e arrependimentos, mas pânico e desespero terei que viver um momento deste para descobrir. É o tipo de curiosidade que não vou atrás tão cedo, e se passar a vida inteira com ela melhor ainda, não acham? Ainda sim, para mim é inevitável não me perguntar como reagiria a situações de perigo e risco.

2 comentários:

  1. Oi. Então, vim dar uma olhada no seu blog.
    pois bem, esse texto está bem construído, você fez bem em começar a contar já do final, e não usar aquele formato que faz um monte de coisa acontecer para só então chegar na coisa interessante.
    Tem alguns erros de português, mas não chega a ser impedimento à leitura. Não ligue muito para isso, revise seus textos, mas não deixe de escrever por causa de um ou outro erro que possa existir.
    Por fim, é interessante imaginar coisas, mesmo essas ruins. De certa forma é um treinamento, é uma forma de já buscar uma reação. é uma boa ferramente para escrever bem também.
    Boa sorte com o blog. Poste mais, vou voltar mais vezes.

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  2. Primeiro, desculpa a demora para responder. Toda vez que entrei no blog foi corrido, e acabei deixando para próxima, e a próxima... Desculpa mesmo. Muito obrigada por ler. Estou tentando sempre melhorar, ainda mais com relação aos erros gramaticais, é algo mais complicado que vem me acompanhado como um problema desde sempre. Já me deixei desanimar por isto uma vez e não vai acontecer de novo.

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