sábado, 30 de julho de 2011

Olhos azuis II


    Com a cabeça escorada na mesa ela encarava os três moleques covardes e idiotas que quase a mataram. Inconcenquentes, agem como se nada tivesse acontecido no dia anterior, mas as lembranças estavam lá, a perna dela estava enfaixada e sensação de que poderia ter morrido enfim apareceu. Queria gritar a todos o que aconteceu, falar com os diretores, pedir a sua mãe para ir à polícia e tirar aquele ar de impunidade da cara deles a qualquer custo. Mas, nada daquilo era possível, primeiro porque o garoto dos olhos azuis que a salvou pediu para não falar nada, segundo porque a diretoria nunca ia acreditar nela era três riquinhos filinho de papai contra uma bolsista problemática, e por fim sua mãe já ia muito a policia por causa de bebida. 
     No fim eles eram intocáveis, então, desistiu de pensar nos culpados. Se virou para janela encarando o céu azul como os olhos de seu salvador. Era um garoto mais velho lá do colégio mesmo, conhecia de vista. Até que era bem popular, as meninas da sala ficavam falando dele o tempo todo e soltando gritinhos. Se não se enganava, ele era o irmão mais velho de um dos idiotas que tentou matá-la. Ao contrario do idiota do irmão ele parecia legal, gentil, diferente dos outros garotos.  Não disse muito apenas a tirou da casa e levou ao posto de saúde mais próximo para cuidar da perna, pediu para não falar nada do que aconteceu com ninguém, e foi embora. Mas porque estava ele estava lá? Como chegou? Talvez, tenha a visto percebeu que tinha algo errado e foi atrás. Ele se preocupou com ela? De todas as garotas da escola se preocupou bem com ela? Será que via nela algo de especial? Talvez não, devia ser só sua imaginação. Apesar de dizer isto a si mesa não acreditava que fosse só sua imaginação, era a única teoria plausível em sua mente.
     O sino da ultima aula tocou, pegou suas coisas sem pressa e do mesmo jeito saiu. Não tinha ninguém a esperando lá fora, ou em casa.
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Só uma passagem que estava na minha cabeça e não saia, então escrevi. Espero que gostem e nem preciso dizer para esperarem por continuação. Só não esperem para tão breve.


sábado, 23 de julho de 2011

Sinto muito, mas estou te deixando


Ele nem acabou de descer a escada, se sentou ali mesmo em um dos degraus da escada da casa de dois andares idêntica as demais casas do bairro. Apoiou os cotovelos nos joelhos dobrados, passou as mãos pelo cabelo, parou com os dedos entrelaçados no pescoço. Respirou fundo jogando a cabeça para trás e soltando o ar que prendia nos pulmões, por fim deixou os braços caírem ao lado do corpo. Tinha que se entregar a realidade, ela não estava em lugar algum da casa e nem suas coisas no armário. Recolheu o papel amassado do ultimo degrau. Quando foi que o soltou? Não importava. Leu novamente a carta que ela deixou. A letra dela nunca foi uma maravilha para ler, mas ele sempre gostou, era charmosa como tudo mais nela. De novo lia a carta, desta vez com mais atenção, afinal nas duas, talvez, três primeiras vezes que leu perdia o foco já com a primeira frase “sinto muito, mas estou te deixando”.
O que mais o incomodava quando lia, era sentir que aquilo já era esperado da parte dela e ele sabia, mesmo antes de tentarem avisá-lo, mas ignorou. Ignorou o egoísmo dela disfarçado na rebeldia, ignorou que apesar do jeito divertido de garota que quer mudar o mundo, ela ainda tinha a visão de uma menina que foi mimada a vida todo e ganhou tudo na mão pela mamãe, que neste momento devia estar a acolhendo em casa e apoiando a decisão de abandoná-lo. A mãe dela nunca gostou do garoto classe média baixa, que queria ser advogado. A previsão da sogra se concretizou como uma maldição, ela não agüentou a vida de subúrbio com dinheiro em falta e responsabilidades de sobra.
Terminou de ler a carta, mais uma vez olhou para os degraus atrás de si. Não tinha mais o que fazer para comprovar que ela não estava mais lá, então esperou. Esperou seu peito doer, as lágrimas que estavam em seus olhos caírem, mas nada disso acontecia. Sentia-se mal, um idiota, triste, acabado, como se tivesse sido atropelado por um caminhão dirigido por ela. Porém, mesmo com os olhos marejados não descia uma única lágrima por ela. Surpreendeu-se com a própria reação, ou era força? Insensibilidade talvez. De qualquer jeito não pode evitar um meio sorriso tristonho no canto dos lábios.
 Levantou-se, tirou a aliança e a colocou junto à carta na mesinha de madeira a sua frente. Ao lado da escada pegou o carrinho de bebê tirou da passagem colocando em um canto. Foi à cozinha pegou uma cerveja na geladeira, enquanto a abria fazia o caminho de volta para escada subindo até o primeiro quarto à direita. Escorou no portal da porta, que antes estava semi-aberta. Ficou ali bebendo a cerveja e encarando o bebê de um ano e meio que dormia profundamente sem imaginar o que acabava de acontecer. Ele pensava no tempo que ia demorar para ela voltar com a mãe querendo levar a filha embora. Elas não iam conseguir, não iam tirar dele a filha. Só o restava a filha. Podia não estar tão abalado e arrasado como esperava, mas, ainda precisava de algo para orientá-lo, uma luz para motivá-lo, algo por qual viver. E tudo isto, para ele, estava naquela pequenina que dormia de forma angelical.

Criei está história por criar em uma noite de insônia e a versão em papel está muito mal escrita e com bem menos linhas. Talvez um dia a poste aqui, mas não prometo nada.
 Apesar de ter sido criada por acidente me identifico com pequenos detalhes desta história. Tem um pouco de mim nos dois personagens dela, mesmo que me doa admitir. Postarei contando mais sobre isto, e  é uma promessa. É algo complicado de explicar com tão poucas palavras, e algo sobre o qual quero conversar.


sábado, 16 de julho de 2011

Olhos azuis

    Ela piscou os olhos várias vezes, seu rosto e sua nuca doíam, e seus olhos lacrimejavam. Estava quente e algo prendia sua perna. Tinha dificuldade para respirar, via muita fumaça, algo fora de sua visão queimava. Como tinha chegado a isto mesmo? Forçou a memória tentando lembrar. Dois colegas apareceram na sua frente e começaram á provocá-la. Disseram que ela era covarde como o pai que fugiu, ia provar que não. Foram a uma casa abandona que diziam ser mal assombrada, bobagens. Os garotos a desafiaram. Tinha que entrar a pegar algo de lá de dentro. Era uma armadilha tinha mais um garoto lá dentro que começou a soltar bonbinhas em sua direção, uma delas era mais forte que as demais a explosão foi grande e agora estava ali com seu corpo fraco que doía. Não conseguia sair sua perna estava presa debaixo de algo grande, uma viga que cedeu talvez. Queria gritar, mas ao abrir a boca engoliu fumaça. Ia mesmo morrer ali? Sufocada por fumaça? Queimada junto a casa abandona que ninguém queria assim como ela. Irônico.
    Por algum motivo ainda tentava soltar sua perna, era inútil. Seu corpo todo doía, seu nariz, garganta e pulmões doíam e de tudo era a maldita perna o que mais doía. Desistiu de se solta, descansou a cabeça no chão se deitando e relaxando esperando a morte certa. Por que não entrava em pânico logo? Por que não batia o desespero? Por que sentia como a qualquer instante ia ser salva? Mas por quem? Ninguém além daqueles idiotas sabia que ela estava ali, e eles covardes infantis não iam voltar. Deviam estar amedrontados com o fato dela morrer por causa deles, da brincadeirinha de mal gosto deles, provavelmente estão rezando para que tudo seja queimado e ninguém sinta a falta dela. Ela não duvidaria que isto acontecesse, sua mãe ia estar bêbada demais para perceber que ela nunca voltou e se tivesse algum amigo que se importasse não estaria ali.
    O tempo ia passando, seu corpo estava cada vez mais mole e sua visão mais embaçada. Fechou os olhos, era o fim cada vez mais próximo. Devia estar imaginando, mas tinha ouvido algo talvez a porta abrindo. Abriu os olhos para ver o que era, e para sua surpresa deu de cara com dois borrões azuis, olhos azuis com fios dourados por cima. Sentiu seu corpo ser puxado, levantado e os olhos azuis sumiram. Era a Morte a levando? A Morte com seus lindos olhos azuis? Fechou seus olhos e deixou ser levada para fora daquele inferno.

E ai, a Morte tem olhos azuis? Esta é só a primeira parte. Espero que gostem, talvez poste uma continuação em breve.

Sabe, Tento imaginar o que se sente quando está em um momento de vida ou morte como este mal descrito de agora. Não me levem a mal, é uma curiosidade, talvez um pouco incomum, mas apenas uma curiosidade. Cheguei à conclusão que cada um sente algo diferente, e me baseando no acidente de carro que tive quando mais nova, que não chegou nem perto de um momento de vida ou morte, porem foi bem assustador e angustiante. Acho que com certeza sentiria angustia, medo, tristeza e arrependimentos, mas pânico e desespero terei que viver um momento deste para descobrir. É o tipo de curiosidade que não vou atrás tão cedo, e se passar a vida inteira com ela melhor ainda, não acham? Ainda sim, para mim é inevitável não me perguntar como reagiria a situações de perigo e risco.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Oi

   Gosto de escrever histórias, e apesar de não ter afinidade alguma com a gramática e suas regras, vou postar algumas delas aqui. Olha, agora que decidi o que postar acho que o titulo não combina muito. Fazer o que, agora já foi. Para vocês entenderem melhor, eu estava vendo o blog de uma amiga e comecei a criar um para mim. É eu não pensei muito no assunto simplesmente fiz e agora estou aqui muito perdida, mas tudo bem é até legal, e a sensação que ainda não sei defini é boa. Espero que gostem do que eu vou tentar escrever, não é nada sofistica intelectual ou bem planejado. É só o que passa pela minha cabeça, é apenas minhas estórias. Apenas eu ou uma parte de mim. 
   Obrigado por ler.